Na nossa concepção, a língua não é apenas uma ferramenta comunicacional para transitarmos neste mundo global em que vivemos. Nós temos uma abordagem multicultural, que considera a língua mais do que uma ferramenta comunicacional, ela é, antes, identidade.
O que isso significa?
Significa que “língua” é um arcabouço cultural de um povo, é mais do que uma ferramenta, ela é uma estratégia de acervo, de identidade e de cultura de um povo.
A próxima pergunta que podemos fazer é: o que nós aprendemos ou apreendemos, quando é adquirida uma língua estrangeira?
O que nós apreendemos é a cultura do outro, é a identidade do outro, são os modos de ver, os modos de se relacionar, os modos de se expressar e de viver no mundo, o que tem uma carga muito maior no nosso processo de ensino-aprendizagem.
Nós consideramos a língua desde essa perspectiva de linguagem e sociedade. Nessa abordagem, nós estamos o tempo todo nos deparando com o poder incontornável de uma língua, que é representar a identidade de um povo. Esse aspecto, para nós, é tão fundamental que, se nós entendermos que língua é identidade, nós não reconhecemos uma hierarquia entre idiomas, porque definitivamente nós não reconhecemos uma hierarquia entre culturas. O que nós reconhecemos é a diversidade cultural, que entra na escola pela língua.
Quando nós estamos adquirindo competência comunicativa na língua espanhola, por exemplo, nós estamos diante dessa cultura do outro. O que isso significa também? Significa que nós nos colocamos diante da nossa própria cultura, porque uma parte da nossa identidade é estabelecida nas relações. Eu me reconheço na minha relação com o outro, quando eu estou aprendendo espanhol, eu posso fazer várias perguntas sobre a relação entre a língua portuguesa e a língua espanhola. Qual é essa relação? É uma relação múltipla, é uma relação histórica, geográfica e cultural.
Quando eu estou adquirindo competência comunicativa na língua inglesa, automaticamente eu começo a me perguntar: qual é a relação entre a minha língua (língua portuguesa) e a língua inglesa? Essa é uma relação de igualdade. Embora esse mundo global fale em línguas francas, e que até o são por questões geopolíticas e questões econômicas, nós não vemos uma hierarquia entre línguas, porque língua é cultura e as culturas são iguais. Na nossa construção, um projeto de ensino de língua estrangeira não pode trazer nas entrelinhas a valorização de uma cultura em detrimento da outra, por isso que nós falamos em perspectiva intercultural, multicultural, estamos falando da diversidade.
Assista ao vídeo abaixo e saiba mais sobre o projeto de trilinguismo no Arvense.